O Outono do Patriarca (Garcia Márquez)

Quase todas as ditaduras têm um toque de irrealidade, de aparente fantasia, cenários desconcertantes e difíceis de conceber. Se juntarmos a esse fator, típico dos regimes absolutistas, a imaginação que deu origem ao realismo mágico que caracteriza o universo de Garcia Marquez, percebemos que estamos perante um livro magistral.

Esta é mais uma daquelas leituras que fiz há muito tempo, tanto que parece ter sido numa outra vida. Mas que de alguma forma ficou sempre comigo, na forma como cenários e situações se apresentaram e ficaram gravados pela sua natureza tão única, tão improvável...

À semelhança de tantos outros livros de Garcia Marquez, cada página que lemos transporta-nos para o universo ali descrito e mergulhamos numa realidade única e indelével. 

Pontuação: 9/10
Sinopse: Quando os revolucionários entram no enorme palácio em ruínas encontram o corpo do ditador em decomposição numa emaranhada anarquia onde se misturam o passado e o presente. Um presente já perdido e desfeito, um passado de uma riqueza inimaginável num palácio pejado de ministros, guarda-costas e criados que mantinham o ditador precariamente equilibrado no poder, e também uma imensidão de mulheres e crianças e um sósia cuja perfeição provocava graves crises de identidade em ambos. A atmosfera é de sonho, mesmo de pesadelo, real, vibrante e sensualmente exacta, ao mesmo tempo vaga e inacreditável. 

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