Um fenómeno estranho aconteceu-me com este livro. Comecei a ler no final de Maio e durante 6 semanas foi uma leitura sôfrega e entusiástica, que me fazia querer entender as noites, com os olhos a arder de sono, mas sem querer interromper a leitura.
No final destas semanas, estando já a mais de 2/3 do livro, tive de fazer uma viagem e achei que não seria boa ideia levá-lo comigo, atendendo às suas volumosas 895 páginas, pelo que pus outros livros na mala (Pequenas Coisas como Estas, A Triologia de Paris e Viagem a Paris), que quis terminar antes de voltar a pegar neste. Já de regresso, ainda quis começar o Robison Crusue, que entretanto terminei antes de retomar o ponto onde estava no Shantaram dois meses antes.
A partir daqui, a leitura já não foi a mesma. É verdade que também houve uma mudança de cenário grande no próprio enredo, mas parecia-me estar a custar a mergulhar de novo na história, muito ao contrário do que aconteceu nos dois primeiros terços, em que era sugada para o enredo, sem mesmo dar por isso. Não consegui bem perceber se foi de mim, se foi da história, houve uma mudança algures no arranque deste último terço do livro, que voltou a fluir como antes, ao fim de centena e meia de páginas.
Tudo somado, a impressão que me fica é a inicial, de um livro imersivo, que nos absorve e envolve de múltiplas formas, lembrando-me de como é bom viver outros mundos e aventuras pelos olhos de quem escreve.
Pontuação: 8/10

